sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Morfema Zero
Hoje falaremos sobre Morfema Zero.
O que é?
Morfema Zero é quando a palavra não possui uma letra para indicar a flexão, que no caso, é representada por outros recursos.
Por exemplo: Mar
Nessa palavra, há morfema zero. Isso porque não há nenhuma desinência que indique o singular.
Como assim?
Sabemos que é singular, porque em português, o morfema que indica plural é "s" . Logo, a ausência dele, o que chamamos de "morfema zero" indica o singular.
O morfema zero é indivisível em unidades menores de significado.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Vogal temática, vogal de ligação e vogal temática verbal
Neste 4º AVM falaremos
sobre as vogais temáticas e a vogal de ligação.
A vogal temática é o
elemento que permite a ligação entre o radical e as desinências. É a vogal que
se acrescenta ao radical para formar o tema.
Exemplo:
Rosa
Carro
Existem três vogais
temáticas, nos verbos elas indicam a conjugação, são chamadas vogais temáticas
verbais.
Exemplo:
-a-, que caracteriza os verbos da primeira
conjugação, a exemplo de participar, determinar, ofertar;
-e-, que caracteriza os verbos da segunda
conjugação, a exemplo de entender, surpreender, aquecer. Nesta conjugação incluem-se
ainda os verbos que derivam de pôr (supor, compor), visto que sua vogal
temática é -e-, cuja origem está na forma arcaica da língua portuguesa poer, do
latim ponere;
-i-, que caracteriza os verbos da terceira
conjugação, a exemplo de reagir, partir, sorrir.
Com isso retomamos a
introdução e concluímos que a junção do radical com a vogal temática de um
verbo, forma o tema.
Nos nomes, a vogal
temática aparece nos derivados de verbos e em substantivos e adjetivos
terminados em –a, -e, -o átonos.
Exemplo:
Casa
Dente
Livro
Em nomes como: Fé,
sofá, urubu, por exemplo, não há vogal temática porque terminam em vogal
tônica.
Em nomes que terminam
em consoantes como: Mar, mal, paz, a vogal temática só aparecerá no plural.
Exemplo:
Mares
Males
Pazes.
Devido a isso são
chamados de atemáticos.
Por último temos a
vogal de ligação, cuja presença se deve somente a fatores eufônicos,
facilitando a pronúncia de uma determinada palavra.
Exemplo:
Tecnocracia
Gasômetro
Parisiense
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Desinências e Sufixos
Neste 3º AVM falaremos sobre as desinências e os sufixos e suas
particularidades.
Quando se conjuga o verbo amar, obtêm-se formas como amava, amavas, amava, amávamos amáveis, amavam. Essas modificações ocorrem à medida
que o verbo vai sendo flexionado em número (singular e plural) e pessoa
(primeira segunda ou terceira). Também ocorrem se modificarmos o tempo e o modo
do verbo (amava,
amara,
amasse,
por exemplo).
Podemos concluir, assim, que existem morfemas que indicam as
flexões das palavras. Esses morfemas sempre surgem no fim das palavras
variáveis e recebem o nome de desinências.
Para ilustrar melhor vamos aos conceitos e exemplos:
Desinências são os elementos
terminais indicativos das flexões das palavras. Existem dois tipos:
(1º) Desinências Nominais: indicam as
flexões de gênero (masculino e feminino) e de número (singular
e plural) dos nomes.
Exemplos:
Alun-o
|
Aluno-s
|
Alun-a
|
Aluna-s
|
Obs.: só podemos falar em desinências nominais de gêneros e de números
em palavras que admitem tais flexões, como nos exemplos acima. Em palavras
como mesa, tribo, telefonema, por exemplo, não temos desinência
nominal de gênero. Já em pires, lápis, ônibus não temos
desinência nominal de número.
(2º) Desinências Verbais: indicam as
flexões de número e pessoa e de modo e tempo dos
verbos.
Exemplos:
Compr-o
|
Compra-s
|
Compra-mos
|
Compra-is
|
Compra-m
|
Compra-va
|
Compra-va-s
|
A desinência "-o", presente em "am-o",
é uma desinência número-pessoal, pois indica que o verbo está na
primeira pessoa do singular; "-va", de "ama-va",
é desinência modo-temporal que
caracteriza uma forma verbal do pretérito imperfeito do indicativo, na 1ª
conjugação.
De maneira mais detalhada...
Modo-temporais = indicam o tempo e o
modo. São quatro as desinências modo-temporais:
-va- e -ia- para o Pretérito Imperfeito do Indicativo = estudava, vendia, partia.
-ra- para o Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo = estudara, vendera, partira.
-ria- para o Futuro do Pretérito do Indicativo = estudaria, venderia, partiria.
-sse- para o Pretérito Imperfeito do Subjuntivo = estudasse, vendesse, partisse.
Número-pessoais: indicam a pessoa e o número. São três os grupos das desinências número-pessoais.
Grupo I: i, ste, u, mos, stes, ram, para o Pretérito Perfeito do Indicativo = eu cantei, tu cantaste, ele cantou, nós cantamos, vós cantastes, eles cantaram.
Grupo II: -, es, -, mos, des, em, para o Infinitivo Pessoal e para o Futuro do Subjuntivo = Era para eu cantar, tu cantares, ele cantar, nós cantarmos, vós cantardes, eles cantarem. Quando eu puser, tu puseres, ele puser, nós pusermos, vós puserdes, eles puserem.
-va- e -ia- para o Pretérito Imperfeito do Indicativo = estudava, vendia, partia.
-ra- para o Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo = estudara, vendera, partira.
-ria- para o Futuro do Pretérito do Indicativo = estudaria, venderia, partiria.
-sse- para o Pretérito Imperfeito do Subjuntivo = estudasse, vendesse, partisse.
Número-pessoais: indicam a pessoa e o número. São três os grupos das desinências número-pessoais.
Grupo I: i, ste, u, mos, stes, ram, para o Pretérito Perfeito do Indicativo = eu cantei, tu cantaste, ele cantou, nós cantamos, vós cantastes, eles cantaram.
Grupo II: -, es, -, mos, des, em, para o Infinitivo Pessoal e para o Futuro do Subjuntivo = Era para eu cantar, tu cantares, ele cantar, nós cantarmos, vós cantardes, eles cantarem. Quando eu puser, tu puseres, ele puser, nós pusermos, vós puserdes, eles puserem.
Grupo III: -, s, -, mos, is, m, para todos os outros tempos
= eu canto, tu cantas, ele canta, nós cantamos, vós cantais, eles cantam.
Como parte da minha bibliografia, abaixo segue um “link” com um
quadro de desinências para facilitar o entendimento e permitir assimilações:
Sufixos
Os sufixos integram uma das modalidades que participam do processo
pelo qual as palavras são formadas – a derivação. Assim, ao analisarmos a
palavra “livraria”,temos:
livr– constituindo o radical.
-aria – representando o sufixo, ou seja, a parte que lhe foi acrescentada, dando origem a um novo vocábulo.
Como resultado de tal acréscimo, podemos ter uma mudança na sua classe gramatical ou até mesmo uma alteração de sentido representado por esta. Desta forma, subsidiando-nos no exemplo da palavra “unhada” (no qual o sufixo é representado por “-ada”) podemos constatar que se trata de um ataque, golpe feito por meio da unha, como pode ser um ferimento provocado pela unha.
Outro exemplo pode ser representando pela palavra escolarização, uma vez que o sufixo “-ação” transforma em substantivo o verbo escolarizar. Temos, portanto, uma mudança no que se refere à classe gramatical.
No link abaixo, também parte da bibliografia
desta pesquisa, existem quadros que mostram o direcionamento dos sufixos. Vou
colocá-los a seguir, juntamente com a fonte de onde foram tirados, para quem se
interessar.
Sufixos que formam nomes de ação
|
Sufixos que formam nomes de agente
|
Além dos sufixos acima, tem-se
Sufixos que formam nomes de lugar, depositório
|
Sufixos que formam nomes indicadores de abundância, aglomeração, coleção
|
Sufixos que formam nomes técnicos usados na ciência
|
Sufixo que forma nomes de religião, doutrinas
filosóficas, sistemas políticos
|
Para concluir, coloco o trecho de uma música do Jorge Vecilo,
chamada “Ela une todas as coisas” para exemplificar o uso de sufixos, no caso,
afixos pospostos ao radical. Veremos o uso do –ar e do –ir, como formadores de
verbo:
“Ela une todas as coisas
Como eu poderia explicar
Um doce mistério de rio
Com a transparência de um mar?
Como eu poderia explicar
Um doce mistério de rio
Com a transparência de um mar?
Ela une todas as coisas
Quantos elementos vão lá?
Sentimento fundo de água
Com toda leveza do ar
Quantos elementos vão lá?
Sentimento fundo de água
Com toda leveza do ar
Ela está em todas as coisas
Até no vazio que me dá
Quando vejo a tarde cair
E ela não está
Até no vazio que me dá
Quando vejo a tarde cair
E ela não está
Talvez ela saiba de cór
Tudo que eu preciso sentir
Pedra preciosa de olhar!
Ela só precisa existir
Para me completar
Tudo que eu preciso sentir
Pedra preciosa de olhar!
Ela só precisa existir
Para me completar
Ela une o mar
Com o meu olhar
Ela só precisa existir
Para me completar.”
Com o meu olhar
Ela só precisa existir
Para me completar.”
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Radical, raiz e afixos.
Neste 2º AVM,
desenvolveremos sobre o Radical, a Raiz e os Afixos.
O radical é o morfema que contém o
significado básico da palavra e a ele podem ser acrescidos outros elementos
mórficos, como as desinências e os afixos. Segundo Khendi (1999), de uma forma
bem sucinta, ele é a parte que permanece intacta quando sua estrutura é
modificada. Um bom exemplo, são as palavras a seguir:
Casa
Casebre
Casarão
Caseiro
Por terem um mesmo radical (destacado em
negrito) e significação semelhante, fazem parte da mesma família, ou seja, são
palavras cognatas.
Os radicais podem ser: adjetivais,
adverbiais, nominais e verbais. Podem ter uma estrutura simples (constituídos
por um único morfema, como cas-, radical simples de casa) ou complexa
(constituídos por mais do que um morfema, como nacionaliza-, de
nacionalização).
Obs: Em se
tratando de verbos, descobre-se o radical, retirando-se a terminação AR, ER ou
IR.
Exemplo:
Casar
Comer
Partir
A raiz é também, uma parte imutável. Ela
remete à semântica da palavra, seu contexto de criação (formação) e suas
transformações até a sua utilização atual. A referência da raiz é a
identificação básica de um grupo de palavras, por suas semelhanças gráficas.
A diferença existente entre radical e raiz,
baseada nos estudos de Rocha e Khendi, é que o primeiro é sincrônico e não leva
necessariamente o contexto histórico em consideração, já o segundo, diacrônico,
tem em sua essência a semântica e historicidade da palavra. Para clarear as
idéias e tirar qualquer confusão que esse morfemas tão parecidos, podem gerar,
deixo uma explicação bem direta:
RAIZ –
Elemento irredutível
RADICAL –
Elemento significativo
Exemplos:
RAIZ
Crença – Cr
Criança – Cri
Reduzir – Duz
Irredutível –
Dut
Evangelho –
Angel
RADICAL
O radical
classifica-se em:
1. RADICAL
PRIMÁRIO = RAIZ
Amigo – Am
Crível – Cr
Esquina – Quin
2. RADICAL
SECUNDÁRIO = PREFIXO RAIZ ou RAIZ SUFIXO
Reduzir –
Reduz
Esquina -
Esquin
Amigo – Amig
Criança –
Crianç
3. RADICAL
TERCIÁRIO = PREFIXO RAIZ SUFIXO
Amadurecer -
Amadurec
Entardecer -
Entardec
Enrijecer –
Enrijec
Os afixos são morfemas responsáveis por
transformar uma palavra primitiva em uma outra, derivada desta.
Ex:
Pedra (palavra
primitiva)
-eira (afixo)
pedra + eira =
PEDREIRA (palavra derivada de pedra, que tem um significado próprio, diferente
de sua palavra de origem)
Afixos são, portanto, morfemas que podem ser
ligados ao radical da palavra, formando assim uma nova palavra, chamada de
DERIVADA.
Dependendo do local onde se encontram, os
morfemas podem ser chamados de PREFIXOS, SUFIXOS ou INFIXOS.
PREFIXO:
quando o afixo é adicionado no início da palavra. Chamamos este processo de
derivação prefixal.
Exemplos:
Des confortável
Re fazer
Des leal
I legal
SUFIXO: quando
o afixo é adicionado no final da palavra. Este processo, por sua vez, é chamado
de derivação sufixal.
Exemplos:
Plant ação
Folha gem
Legal mente
Livra ria
INFIXO: quando
o afixo é adicionado do meio da palavra, dividindo-a em duas partes. Pode ser
uma consoante ou vogal de ligação entre duas raízes ou entre uma raíz e um
outro afixo.
Exemplos:
Gas ô metro
Cafe z al
Cafe t eria
OBS: Há ainda
palavras que recebem prefixos e sufixos ao mesmo tempo. Este processo de
formação de palavras é chamado de derivação parassintética.
Exemplos:
a manh ecer
a benç oar
E para concluir nosso estudo, associando a
palavra escrita ao seu contexto verbal e também visual, segue uma tirinha em
que é possível associarmos a imagem e as palavras com algo que já nos é comum,
justamente, devido à diacrônica.
Temos duas assimilações peculiares, uma da
palavra Man (estrangeirismo) que associamos com Homem, muitas vezes não só por
termos um estudo de língua inglesa, mas por lembrarmos-nos de desenhos animados
de nossa infância como o Super Man, ou o Spider Man e assim por diante, que
fizeram essa palavra ser associada à nossa língua materna de forma tão direta
que em alguns casos confundimos e esquecemos que não faz parte do nosso idioma.
E a outra assimilação é com a Laranja = fruta, que nos serve de alimento e que
na tirinha está sendo ameaçada. E com a Laranja= cor, que nos lembramos da cor
laranja ou alaranjada, como alguns chamam, que se aproxima do amarelo.
A distinção, se dá pelo contexto que
estamos vendo, lendo e mais uma vez associando através da bagagem de
informações que carregamos conosco, que continua sendo formada ao longo da
nossa vida.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
A formação da palavra
A palavra... o que seria da comunicação humana sem ela?
Ao pensar assim,
talvez tenha aparecido em sua mente os sinais, a linguagem de libras, os símbolos,
enfim, inúmeras formas de associação com a palavra escrita que possa interligar
significados.
A palavra tem esse papel
de ser transmitida de várias maneiras, mas sempre com uma intenção: Comunicar.
Fazer com que pessoas, textos, sinais, se entendam harmonicamente, dentro de um
âmbito semântico.
Na morfologia, o conceito de palavra diz: “É
a unidade formal da linguagem que pode constituir um enunciado.”.
Sendo assim, com essa
função tão inerente a condição humana, a palavra liga culturas e permite a
vivencia do cotidiano.
Como tudo tem uma
base, um por que e uma formação, com a palavra não seria diferente. Daí
entramos em um conceito de morfema:
unidade mínima de significado. Através dele, no caso da junção de suas
unidades, criamos os contextos enunciativos e formamos frases, textos, diálogos,
enfim as expressões “físicas” do ato de palavrear,
no caso a morfe, que é a
materialização fônica e/ou gráfica do morfema.
Por exemplo:
A letra (a) –
constitui um morfema feminino;
A letra (s) –
constitui um morfema de plural.
E assim por diante, a
junção dos morfemas, constroem significados dentro de um contexto.
De maneira bem sucinta, conseguimos unir e interligar, morfe, morfema, palavra e seu contexto, entendendo de forma prática a comunicação em um âmbito social.
Intenção do Blog
Este blog tem por
objetivo, transmitir os conhecimentos adquiridos na classe de morfologia, da
Universidade de Brasília e trocar experiências, para acrescer a quem visitá-lo e
também servir de guia de estudo no decorrer do curso.
Espero atingir o
objetivo e me ponho à inteira disposição para debater conceitos e ideias.
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